12 de nov. de 2012

Telefonema.



Você me liga e eu quero te contar do meu dia, a sua voz está fria e eu quero falar de amor.
Me esforço para que minha voz pareça tão indiferente e distante como a sua já é naturalmente, então falo exatamente o oposto de tudo o que estou pensando, só fico satisfeita quando a frase me parece bastante cruel aos seus ouvidos (acho que você aguenta), mas seu tom permanece inalterado, vejo que acha graça das minhas maldades, a sua risada morna esquenta a minha orelha pelo telefone, minhas crueldades de amor não têm efeito algum sobre você.
Quero entrar na sua voz. Quero morar na sua voz.
Quero gravar minhas iniciais com uma navalha nas suas cordas vocais - o nó que a gente deu ficou frouxo demais.
Eu gosto de te ouvir enquanto coleciono palavras. Sua voz é muito fácil de desmembrar. Antes mesmo de você ir embora eu já colecionava essas palavras. Estúpidas. Desesperadas. Viscosas. Essas palavras que eu sabia que deixaria de dizer. Tenho hoje tantas delas guardadas que me pergunto, com uma certa surpresa, sobre o que conversávamos.
Mas que tolice a minha, nós não conversávamos.

5 de nov. de 2012

Há De Se Entender Que




Quantos cigarros você acha que seriam necessários pra esquecermos todos os desequilíbrios? Quando não é você errando sempre aparece alguém pra cumprir seu papel de infrator. Não há o que sustente sua paz, você bem sabe que precisa de tudo de pernas pro ar, assim é mais fácil foder a vida, não existe aquela necessidade chata de ficar gastando os músculos, causar contusões, convencer através da força pra ela te dar sem gritar, contar pro irmão mais velho, o pai e depois sofrer com a sua cabeça sendo cortada com a faca de mesa da mãe.

Você sorri, claro, é educado, tenta se vestir bem, mostra qualidades, os defeitos escreve em cadernos e depois queima cada folha chorando, como se colocasse fogo em seus próprios membros. Porque não ateia fogo em si mesmo? Se é tão bom em suportar e fingir, vamos fazer de conta que é alguma muçulmana suicida. Exploda seu crânio junto ao botijão, se destrua primeiro antes que estrague a vida de mais alguém.

As pessoas te olham torto na rua como se conseguissem torcer seu pescoço só de te ver passar, você torce pra que elas te esqueçam, não tem como cobrir os cortes na cara de raspão, todas acordam e já vão escovar os dentes, encaram no espelho as cicatrizes que você criou.

E as suas? As transplanta também pra poemas cheios de metáforas bonitas e depois os engole? Da descarga ou enterra no jardim? Seu cachorro não aguenta mais cavar o gramado, enfileirar as desgraças que você fez. Comece a esquecê-las na gaveta como suas coleções antigas, já que pra você são apenas dores passadas.

29 de out. de 2012

Seu Perfume



Comprei um vidro do seu perfume e encharquei a minha casa de você, derramei você nos livros, nos travesseiros e nos lençóis, te derramei nos sapatos e te deixei grudar nas minhas meias, te espalhei pelos cabelos e pelas dobras do corpo, te misturei nas fontes de água e tomei banho com você, tomei banho de você. Tomei esse banho e depois não tomei nenhum outro mais, deixei o seu cheiro ressecar e formar crostas, deixei você cair da minha pele e virar poeira, parei de varrer a casa e tudo o que eu tenho virou também poeira.
Pensei que não era o bastante e resolvi te derramar ainda nas minhas roupas, nas roupas dos meus familiares, dos meus amigos, nas roupas que ficam expostas nas vitrines das lojas, nos tecidos sem forma que irão tornar-se roupas, nos fios de náilon, nas crianças chinesas, nas plantações de algodão, na máquina de lavar. Quero sete bilhões de pessoas cheirando à você. Quero sete bilhões de você cheirando à pessoas. Quero você cheirando à você,  já gastei todo o perfume.

25 de out. de 2012

Autópsia.



O abdome é dividido em nove quadrantes, os médicos delimitam previamente as linhas do esquartejamento, sobra aos assassinos pouco ou nenhum trabalho. Quero que você vá descendo a lâmina afiada da sua faca na linha imaginária marcada pelos mamilos, aproveite e roube, através deles, minhas melhores endorfinas batidas no leite. Quero que vá rasgando a pele aos poucos, isso, sem medo, sem deixar a mão tremer enquanto me corta, sem limpar o sangue que escorre, meu último desejo é sujar os seus sapatos.
Pela dor que eu sinto você já fez duas linhas verticais, dividiu meu corpo em três, mas as doenças são muitas, são necessários espaços menores para examinar alguém com precisão, não se preocupe, estou aqui para te ensinar, vou mostrar exatamente o que você tem que fazer. Seguro sua mão para te ajudar a abrir os dois últimos talhos horizontais, o primeiro bem na crista da bacia e o outro começando logo abaixo das costelas, imagino que você esteja pensando em como elas ficariam uma delícia defumadas e regadas ao molho de churrasco, queria que tivesse me avisado da sua antropofagia antes que eu te permitisse tomar conta da minha autópsia.
Pronto, estão aí expostos os nove pedaços de mim que você desconstruiu, quero que me diga qual deles apresenta o maior grau de macicez, só não repare essa discreta distensão ali no meio, bem aonde você apoiou a mão trêmula, cansada de tanto me dilacerar, é o resultado de todo o ar que engoli junto com as palavras que tanto ensaiei, mas que fiz questão de não te entregar.

17 de out. de 2012

E daí?



E daí se eu gosto de sangue?
E daí se minha analista insiste em me perguntar se eu já me apaixonei e eu nunca sei o que responder e acabo dizendo que não?
Às vezes digo que sim e a conversa fica estranha, estranha por que eu não consigo deixar de pensar em quem eu amei. São fantasmas, eu sei, mas são meus fantasmas e gosto que eles me rodeiem durante o dia, gosto de ver os rostos dos meus fantasmas se deformando pelo meu afastamento físico com os donos de seus corpos, mudando de traços pela brincadeira do esquecimento, até que se tornam caricaturas completamente distorcidas daquilo que um dia eu conheci tão bem e, ainda assim, gosto que eles estejam ali, que participem comigo de cada pequena atividade, que continuem me conhecendo, mesmo que somente na realidade paralela que criei para nós, eu e meus amores-fantasmas. Forço uma intimidade com ilusões que querem ir embora, é verdade, diversas vezes já me pediram a carta de alforria, mas são minhas ilusões, só vou deixá-las partir quando eu não tiver mais o que contar, quando eu não tiver mais vontade que me conheçam; venha, ilusão, é inútil resistir, sente-se, fiz macarrão e comprei vinho branco para o jantar.
Daqui de onde estou sentada não vejo problema nenhum em gostar de sangue. A vida é suja assim mesmo e, dentro dela, eu prefiro ficar com o que é mais cru, com o que é mais líquido e colorido. Limpas são apenas as ilusões que, apesar de também me agradarem muito, não servem para andar de mãos dadas na rua, nem para dar beijos no cinema; o limpo e o bonito não satisfazem por completo, o sujo precisa fazer o contrapeso, eu fico com o sujo, não me importo, quero mesmo é ter a liberdade de escolhê-lo.
E daí se eu não quiser falar de amor?

12 de out. de 2012

Ossos do Ofício



Às vezes imagino meu corpo sem a pele, as órbitas vazias de olho, o nariz afilado sem cartilagem e sem também nenhum sinal de que algum dia em mim existiram orelhas (PARA SEREM MORDIDAS, PARA OUVIREM SUSSURROS); somente os ossos e os dentes podres pendentes da mandíbula quebrada da caveira (NÃO IMPORTA O QUE SE FAÇA EM VIDA, OS DENTES SEMPRE APODRECEM).
Arranco mentalmente cada camada. A epiderme sai com uma facilidade surpreendente, expondo o tecido adiposo incomodamente amarelo e macio e os músculos atrofiados, que exibem o mesmo aspecto de carne fresca das peças de gado penduradas por ganchos na vitrine do açougue; tiro os nervos, os vasos, deixo a linfa incolor transbordar pela fáscia friável do abdome enquanto me desfaço gentilmente do subcutâneo e, finalmente, alcanço os ossos, a única coisa que resta depois dos anos, quando resolvemos matar a saudade e abrir o caixão.
Gosto de tentar imaginar o contorno do meu crânio sem o disfarce de pele que o encobre para garantir ao corpo seu humilde espaço na normalidade. Deslizo a mão por baixo dos cabelos e sinto os relevos e as depressões sob o couro móvel e me agrada projetar na mente a imagem que me perseguirá pela eternidade, o último resquício de matéria que continuará me prendendo à terra, mesmo quando eu já não mais tiver essa necessidade - de estar em algum lugar, de ser alguma coisa. É um alívio insólito mentalizar meu esqueleto, exibir em um rolo de filme imaginário a minha própria decomposição, assistir larvas cilíndricas e aneladas esgueirando-se por entre as catacumbas da medula óssea, torcendo para que familiares não tenham o mau gosto de jogar sobre mim tristes flores de finados e punhados gordos daquela terra pálida e lazarenta que acomoda os parasitas.
Não me olhe desse jeito, não me agrada também abordar o assunto, sou do tipo que vira o rosto ao passar pelo cemitério, mas como nada pode saciar as dúvidas a respeito do destino da alma (QUE ALMA?), ao menos me acalma programar a ordem de exoneração de cada órgão aprisionado por detrás das grades de arcos costais; quero dar de comer aos vermes primeiro o coração, por último o pâncreas ou o rim esquerdo, assim não me parece tão ruim.

8 de out. de 2012

As pessoas são todas muito chatas. Sim, todas.



Eu costumo reclamar muito sobre o quanto as pessoas me irritam, sobre como eu nunca vou conseguir manter um relacionamento, uma vez que todas as pessoas que eu conheço acabam, uma hora ou outra, me cansando (e não do jeito bom). Antes de imaginar como vai ser meu casamento (que casamento?) eu já quero procurar o telefone de advogados para cuidar do meu divórcio. Eu tenho certeza que pra mim não vai ter essa coisa de feliz para sempre, simplesmente por um único motivo: as pessoas são todas muito chatas. Sim, todas.
Mas peraí, eu sou uma pessoa e eu não sou chata. Todas as minhas piadas são muito engraçadas e qualquer um teria a sorte de morar no meu corpo e passar todas as horas de todos os dias dentro da minha cabeça, certo? Ahn, mais ou menos. Eu realmente não me acho tão chata, afinal são 27 anos de convivência e, apesar de minhas disparidades comigo mesma, consigo me achar agradável durante a maior parte do tempo. Mas sim, eu sou chata. E muito. Assim como todo mundo.
Acho que existe algum mecanismo de defesa no ser humano que impede que ele perceba a própria chatice, de forma que ele possa viver anos e anos sendo aquela pessoa que pergunta se é "pavê ou pacomê" sem se incomodar com isso da mesma forma que se incomodaria se essa frase saísse da boca de outro ser de luz, que se acha engraçadíssimo, assim como ele. Porém, existe uma falha nesse sistema. Sim, se você parar para se escutar, naquele momento logo antes de dormir, vai conseguir perceber o quão insuportavelmente entediante e piegas você consegue ser.
Por exemplo, esses dias ando tendo aquelas insônias de ficar horas rolando na cama sem conseguir mergulhar no estado de espírito elevado que tanto me agrada. Foi quando parei para ouvir pela primeira vez as vozes dentro da minha cabeça se manifestando, que entendi como é difícil achar uma pessoa legal no mundo, principalmente porque eu não sou uma delas.
(flashback para a cena de Marina -eu- tentando dormir)
(... alguns minutos de silêncio ...) "eu gosto de uvas" "faz tempo que não como uvas" "hum... foi um bom restaurante que fui no fim de semana né" "a salada tava muito boa" "preciso comer mais salada" "amanhã vou no supermercado e compro coisas pra fazer salada" "não vou ficar gastando dinheiro quando posso fazer uma coisa tão fácil dessas em casa" "♫ I like big butts and I cannot lie ♪" "não ok, vamos dormir agora, você tem que acordar cedo amanhã" (silêncio) "ai droga acho que deixei dinheiro dentro da minha calça jeans" "se for uma nota de 2 reais eu não me importo, mas se for uma de 20 eu quero pegar agora" "não, deixa, amanhã eu pego, é só eu não me esquecer" "dinheiro na calça, dinheiro na calça, dinheiro na calça, dinheiro na calça" "ah não, agora acho que tenho que fazer xixi" "bom se eu levantar pra fazer xixi melhor pegar logo o dinheiro na calça" "não, eu não posso estar com vontade, acabei de ir no banheiro" "nossa se eu acordar no meio da noite com vontade de fazer xixi vou ficar muito puta" "♪ you other brothers can't deny ♫" (e continua por mais algumas horas).
Não sei se fui clara o bastante. Se quando eu era pequena meus pais cantavam música pra me fazer dormir, hoje em dia eu me encarrego de entediar a mim mesma até não aguentar mais e ser obrigada a dormir. E, se uma pessoa consegue ser tão chata a ponto de fazer a si própria dormir, eu não sei quem eles estão tentando enganar com esse papo de paz mundial. Afinal, guerras só acontecem porque as pessoas não se aguentam mais e querem matar umas às outras, certo?
Aliás, com tantos problemas no mundo eles preferiram erradicar a varíola do que a chatice, né? Esse pessoal do governo não tem a menor noção de prioridades mesmo.

2 de out. de 2012

Anticoagulante




Acontece assim: eu corto os seus pulsos, a culpa vai parecer toda sua, corto seguindo o curso da artéria radial, quero fazer uma bagunça. Eu gosto de sangue. Eu gosto do seu sangue. Quero beber, colocar em um balde, derramar pela casa. Rolar no teu sangue, é isso o que eu quero. Mergulhar em piscina de plasma e enxergar através do seu vermelho, enquanto você cai debilmente na cama, quero nadar nas suas veias.

Sonho todas as noites em tirar sua vida com os dentes, usar os caninos para te rasgar em todos os pulsos principais. Por você, eu não beberia nada além de sangue, nada além do teu sangue, nem mesmo água, e estou com tanta sede, cinco litros de você só vão servir para engrossar minha saliva, tirar a minha água enquanto você sangra no colchão, mas não me peça para tirar também minhas máscaras, não quero acelerar a desidratação.
Seu corpo já está morto, inerte, pálido, chupei sua carótida como uma tangerina e continuo te deixando sangrar mesmo depois de passado o prazo de validade. Antes de beber, encho as tripas de heparina para te impedir de coagular dentro de mim, é muito do seu sangue para pouco ácido no meu estômago, a qualquer momento posso ter uma indigestão, mas ainda assim quero sua estirpe bem viva no meu esôfago e intestino, meu sangue e teu sangue com apenas uma camada de músculo liso para separar, quero me banhar nas suas feridas abertas para que elas não tenham tempo de cicatrizar.

29 de set. de 2012

Pelada em casa!



Eu vim aqui hoje pra falar de uma coisa que eu sei que existe (tenho quase certeza que existe! só não digo certeza total porque quem sou eu né..) mas que ninguém comenta. Quer dizer, as pessoas até brincam sobre isso e tal, mas ninguém para no meio de uma conversa e fala sério: "ah é! eu também só ando pelado em casa!" NINGUÉM! pode sair por aí tentando iniciar esse tipo de conversa que você não vai conseguir! to avisando! Ou, se conseguir, vai ser num estilo com um pessoal falando "ai, que esquisito! sério que você faz isso?" e aí você vai acabar desistindo de tratar o assunto com naturalidade e vai falar algo do tipo: "é, não.. realmente! fiz isso uma vez só, só pra ver como era! só por causa daquele episódio de friends e tal.."
Pra quem não sabe, tem um episódio de friends em que a Phoebe (que mora sozinha) fala que só anda pelada dentro de casa (e por isso demora pra abrir a porta) e aí a Rachel, num dia que tem o apartamento só pra si, resolve ver qual é a da parada e fica pelada também! é um dos meus preferidos! Falando assim nem tem graça, mas todos os episódios de friends são inevitavelmente engraçados! e se você nunca assistiu friends, peço desculpa, mas eu provavelmente não terei muito o que conversar com você! (FRIENDS IS LIFE)
Perdi o foco. Ah é! Tava falando de como é divertido ficar pelada em casa sozinha! Ah, sim! Detalhe para o sozinha! Andar pelada sozinha é uma coisa, andar pelada com platéia é outra completamente diferente! Porque outro dia minha psicóloga me perguntou se eu andava pelada na frente dos meus pais e tal e eu achei aquilo esquisitíssimo! mas eu precisaria de todo um novo post pra falar das neuras que essa psicóloga já colocou na minha cabeça! (qualquer dia eu conto)
Mas sei lá né, talvez isso também só seja esquisito agora, porque vai que um dia eu encontro alguém que goste de andar pelado junto comigo e aí fique tudo certo, sem aquela coisa de vergonha e tal, e obviamente fingindo que isso não acontece quando o assunto vêm à tona, né? vai que tem até um monte de gente que quer comentar sobre a peladisse grupal que rola em suas respectivas casas e também não tem um público receptivo (eu admito que não sou um público receptivo nesse assunto também não!)
Enfim, nem sei se eu tinha um objetivo quando comecei a falar disso! Acho que foi só por causa dos pedreiros tarados que ficam olhando pela minha janela enquanto eu me reservo o direito de andar sem roupas pela minha casa (mas calma que eu já fechei as cortinas porque não sou piriguetch não genty) e pra ver se a galere fica menos chata na hora de conversar sobre certos assuntos e admite logo que anda pelado MESMO e que ninguém tem nada a ver com isso né não? um dia todo mundo vai conversar sobre qualquer besteira na rua sem repressão e vamos ser todos felizes para sempre! vocês vão ver só!

26 de set. de 2012

É preciso amar as pessoas como se houvesse filhadaputagem


Olha eu to aqui hoje porque preciso esclarecer uma coisa que está entalada na minha garganta há algum tempo e eu nunca sei as palavras certas pra falar isso sem parecer extremamente babaca e escrota e eu morro de medo de gente que me conhece ler essas desgraças que eu escrevo na internet e me odiar mais do que meu potencial exige na vida real, mas enfim TO BOTANDO A BOCA NO MUNDO isso precisa ser dito e eu vou levar uma pelo time O TIME DA VERDADE (???).
É o seguinte, principalmente no universo feminino rola uma coisa meio louca de que pra você ser amiga de alguém você precisa ser completamente sincera, você tem que compartilhar cada detalhe da sua vida com aquele ser humano, você não pode odiar ninguém que aquela pessoa gosta por mais insuportavelmente chata que a pessoa seja e o mais importante, você não pode falar mal de ninguém (muito menos dela). Mas aqui vai uma novidade pra vocês meninas: TODO MUNDO FALA MAL DE TODO MUNDO. Pois é, chocante, eu sei, mas é verdade. Até mesmo aquela sua amiga pastora da sinceridade que quando vê você falando mal de alguém já vem logo dizendo "QUERO MORRER TUA AMIGA HEIN" ou "NÃO QUERO OUVIR VOCÊ FALANDO MAL DE FULANINHA PORQUE ELA É MINHA AMIGA E EU NÃO FALO MAL DE AMIGA" ou até mesmo "GENTE, SE VOCÊ FALA ASSIM DE FULANINHO DE TAL IMAGINA O QUE NÃO FALA DE MIM PELAS COSTAS" e outras frases de efeito que você pode encontrar em qualquer manual da boa amiga sincera na livraria mais próxima da sua casa. Mas então, ATÉ ESSA amiga sente impulsos elétricos incontroláveis pra fazer comentários ante a sandália gladiadora de uma professora que se veste esquisito ATÉ ELA ri convulsivamente por dentro quando ouve você comentando que um desafeto dela caiu da escada e rolou pela rampa na frente da faculdade inteira. TÁ NO NOSSO SANGUE GENTE NÃO DÁ PRA EVITAR, É TIPOS CIÊNCIA.
Ok pode parecer só mais um traço bitch da minha personalidade, deve até ser mesmo mas eu realmente li uma vez que a fofoca é uma parada que sobreviveu à evolução, que tipos o pessoal das pedras que fazia fofoca prevaleceu sobre o que se achava bom demais pra isso no meio da seleção natural, simplesmente porque fazer fofoca, por pior que o termo possa ressoar ao ouvido dos mais pudicos, une mais as pessoas, e eu não li isso tipos na caras não, foi em uma revista meio que científica até, daquelas mente&cérebro (pelo menos é uma das revistas mais sérias que eu leio, então me sinto obrigada a acreditar em quase tudo), dai dizia ainda que as pessoas se sentiam meio que fazendo parte de um grupo de uma unidade quando se uniam pra falar mal de uma outra pessoa e isso as favoreceu, as tornou mais fortes e coisa e tal. O QUE FAZ TOTALMENTE SENTIDO porque reflitam comigo sobre a seguinte situação: Fulaninha de tal é muito amiga de ciclaninha e de beltraninha, mas ciclaninha e beltraninha não gostam uma da outra porque tem ciúmes de fulaninha de tal, só que ai um dia fulaninha de tal vai lá e pega o namorado de ciclaninha que fica muito chateada, ao mesmo tempo beltraninha também está muito chateada com fulaninha de tal porque ela só dá atenção pro namorado novo e deixou ela de lado. O QUE ACONTECE?? ciclaninha e beltraninha que antes se odiavam se unem pra falar mal de fulaninha de tal É O PONTO EM COMUM ENTRE ELAS, É O ELO e constroem a partir dai uma linda amizade (sem fulaninha de tal que agora não tem mais nada a ver com elas porque por motivos óbvios não pode participar das fofocas). E VOCÊS ACHANDO QUE FOFOCA ERA UMA COISA RUIM NÉ? FOFOCA CRIA AMIZADES, SELA CASAMENTOS, CONSOLIDA UNIÕES É LINDO, além de todas as endorfinas e hormônios do bem que rolam enquanto você está ouvido um baphão sensacional né.
Não me entendam mal, com fofocas eu não quero dizer INVENTAR COISAS a respeito de outras pessoas, porque isso sim é uma tremenda filhadaputagem e se você acha que vai fazer migs assim sinto muito por te desapontar, mas quero dizer a pura e simples troca de informções, ou melhor, o livre fluxo de ideias e opiniões a respeito de uma terceira, ou quarta, ou quinta pessoa. Isso é simplesmente saudável.
Tudo bem, agora vão me chamar de maluca por estar me justificando por um comportamento socialmente inaceitável CAGUEI PROCÊS porque eu to aqui pela liberdade de expressão (e pelos homi bunito), vão lá todos dar uma meia hora de bunda pra ver se deixam um pouco a hipocrisia de lado e admitem que falam mal de geralzão também e que não tem nada de errado nisso.
Certo, eu não falo mal de GERALZÃO porque isso é um conceito muito amplo e tem muita gente que eu realmente gosto e que não vejo motivo nem necessidade de falar mal e também muita gente que eu até tenho motivo para falar mal mas que eu gosto o suficiente pra não falar mal de forma que essa pessoa sinta em algum nível de subconsciência que eu estou fazendo esse sacrifício e também não fale mal de mim (porque realmente minha boa fé vai muito impedir a língua alheia né, enfim), mas existe esse pequeno problema de todo mundo ser tão chato. Sim. Eu sou chata, você é chato, sua mãe, seu pai, seu namorado oxigênio, até o Marcelo Adnet que é tão lindo, engraçado e inteligente deve ser chato (e eu nem to forçando a barra). TODO MUNDO É MUITO CHATO. Mas na maioria das vezes a gente escolhe não ver isso, ou então a gente acha aquela pessoa tão linda, engraçada e inteligente (Marcelo Adnet SEU LINDO) que nem percebe as sutis chatices que compõem a personalidade daquela pessoa. Porém, se você convive com alguém por tempo o suficiente alguma dessas coisas que antes você antes não prestava atenção inevitavelmente vão te irritar É A LEI NATURAL DA VIDA. E ai é extremamente necessário que você use essa válvula de escape que é falar mal dos outros para poder continuar convivendo pacificamente com aquela pessoa que você tanto gosta (ou que você precisa aturar, porque né).
Todo mundo tem uma mania esquisita, fala uma coisa nada a ver, se veste de um jeito engraçado algum dia, fica com alguém muito feio no outro, todo mundo dá motivos pra você comentar, você só precisa escolher fazer isso de uma maneira saudável ou não. MANEIRA SAUDÁVEL (minha maneira): fazer piadocas exaustivamente sobre aquele tópico até se tornar sem graça ou outra pessoa fazer uma coisa mais ridícula com a qual você possa fazer piadocas, sem influenciar mentes pequenas caso você não goste da pessoa em questão (ou influenciando, caso aquela pessoa tenha sido bitch com você, porque ninguém é de ferro né) e sem deixar a pessoa perceber olhares pejorativos e risinhos descontrolados em sua direção DICA: invente apelidos. MANEIRA NÃO SAUDÁVEL: olhar de cima a baixo quando a pessoa passa, encarar a mesma e virar para o lado para fazer comentários, fazer todo mundo odiar aquela pessoa porque ela fez algo que você não gostou, contar coisas que foram engraçadas num tom sério só pra pessoa parecer ainda mais ridícula entre outros, essas são as chamadas fofocas corrosivas normalmente feitas por pessoas que se acham melhores do que realmente são e coisa e tal DICA: não se misture com esse tipo de gente, primeiro porque elas não são engraçadas, o que faz delas muito mais chatas que o normal, depois porque dai você vai parecer muito mais bitch do que a cota reservada para cada ser humano.
Ah sim, porque eu acho que cada pessoa devia ter uma cota para o quanto pode ser bitch dai se você passar dessa cota sim as pessoas podem começar a se afastar de você alegando que você é uma pessoa horrível e que não sabe ser amiga de ninguém sem ser falsa.
Então é isso gente, ninguém é completamente sincero, ninguém é completamente falso, todo mundo fala mal de todo mundo pelas costas, provavelmente todas as suas amigas já fizeram algum comentário meio bitch sobre você (e sobre mim) e é melhor você aprender a conviver com isso se quiser ter alguma madrinha no seu casamento.


P.S.: AMIGAS QUE ME CONHECEM E QUE POR VENTURA VENHAM LER ESSE POST: EU AMO VOCÊS, SÓ FALO MAL DE GENTE FEIA E MELEQUENTA (só falo mal de gente linda e glamourosa que trabalha em hollywood porque dai é inveja, não conta) E SÓ SOU AMIGA DE GENTE LINDA E SE EU JÁ FALEI MAL DE VOCÊ VOCÊ PROVAVELMENTE VAI SABER PORQUE EU NÃO SOU NADA DISCRETA E OLHO COM CARA DE CU PRAS PESSOAS QUE EU NÃO GOSTO (e gente que a gente não gosta todo mundo sabe que rola um livre-arbítrio incondicional pra falar mal né?) ENTÃO É ISSO UM BEIJO, NÃO ME ODEIEM.

25 de set. de 2012

9 coisas sobre mim.



Outro dia vi num blog por aí uma pessoa dissertando sobre 9 coisas que os outros deveriam saber sobre ela. A primeira coisa que eu pensei foi: "nossa, mas é nunca que eu iria conseguir pensar nove, eu disse NOVE, coisas interessantes o suficiente sobre mim, pelo menos não algo que alguém tenha vontade de ler né". Pensei também que essa pessoa devia ser um tanto bem resolvida para escrever praticamente um manual a seu respeito achando que os outros iriam querer abri-lo e testá-lo. Nem sei se foi esse o objetivo, nem sei se ela era tão bem resolvida assim, olha eu com essa minha mania chata de julgar as pessoas sem saber. Eu, na verdade, não cheguei nem a ler as 9 coisas que ela achou válido compartilhar sobre ela mesma com o mundo.
Acho que por não saber o que ela tinha escrito sobre si, por não saber se as coisas que ela tinha achado interessantes sobre ela mesma seriam interessantes para mim também ou sei lá por qual motivo senão minha simples curiosidade pra ver se eu conseguia pensar em nove coisas interessantes sobre mim, resolvi fazer minha própria lista de curiosidades a meu respeito (how pathetic am I?). E não to nem ai, eu podia estar fazendo testes no facebook pra descobrir que princesa da disney eu sou, podia estar protestando pelas minhas moedas verdes no youtube, mas não, estou aqui humildemente revelando segredos para desconhecidos que é algo muito mais saudável, então vamos lá:


1. Eu tenho uma dificuldade horrível de dizer "eu te amo". Foram poucas as pessoas que já escutaram essas palavras saindo da minha boca. Escrever é outra história, sou bem menos pudica com meus sentimentos quando eles são escritos, mas quando são falados eles parecem muito mais reais, muito mais meus e eu não sei lidar com isso. Então as pessoas só vão ouvir um "eu te amo" meu se for muito verdade, se eu precisar muito dizê-lo.


2. Eu odeio mamão. Acho que não devia nem ser considerado fruta. Frutas são pra serem leves e doces e com gosto de infância, mamão só me lembra as épocas em que minha peristalse não era lá essas coisas e eu tinha que me entupir de mamão até quando estava SENTADA NO PENIQUINHO (wall of shame) e ninguém constrói memórias agradáveis sentada num penico com cara de fusca né. Pois é, e além disso ainda tem a consistência, o gosto, aquelas sementes todas, que em nada ajudam a causa do mamão.


3. Eu não gosto do meu aniversário. Com isso não quis dizer que não gosto de ganhar presentes, eu adoro ganhar presentes. Eu só não gosto de pessoas se sentindo na obrigação de me dar parabéns sem eu nem ao menos ter feito alguma coisa digna de merecê-los. Não gosto de comemorar algo que eu não sinto necessidade só porque é uma convenção social (mas eu faço porque sou boba e preciso me sentir IN nas coisas). Eu não fico chateada se esquecem de me dar parabéns, eu na maioria das vezes prefereria até ficar em casa e esperar chegar o dia seguinte quando vai ser só mais um dia qualquer, mas nunca sou permitida a fazer isso.


4. Toda vez que eu passo por um espelho e não tem ninguém por perto eu levanto a blusa pra ver se minha barriga ainda está lá. Ok, você acabou de concluir que eu sou uma idiota, e eu devo ser mesmo, mas sei lá, vai que minha barriga mudou desde a última vez que eu a vi, vai que ela sumiu (o que seria uma boa) ou que ela ficou igual a daquelas pesssoas depois de fazerem uma cirurgia de estômago, toda cheia de pelancas. Não sei, eu preciso saber que ela está ali, e não adianta só colocar a mão, eu preciso olhar no espelho.


5. Eu não entendo nada de política. Eu até tento. Juro que tento. Tento absorver ao máximo o que os taxistas falam e comparar com o que eu ouço em casa do meu pai exaltado durante o jornal nacional. Tento falar de fulaninho que eu conheci que fez sei lá o que na política quando alguém começa o assunto. Eu acho até que sou convincente, mas isso se deve mais ao meu talento de mentir do que ao meu conhecimento sobre o assunto. É horrível, mas eu simplesmente não me interesso e, a não ser que eu me apaixone por alguém muito engajado na política, eu vou continuar na minha ignorância gostosa.


6. Eu fico nervosa quando uso perfumes e quando pinto as unhas. Pois é, eu gosto do cheiro dos perfumes, eu me apaixono pelas cores dos esmaltes, até sei os nomes de algumas das cores, mas quando o negócio é colocar em mim eu fico um pouco tensa. Não consigo olhar minhas unhas vermelhas, ou de qualquer outra cor, sem achá-las um pouco alienígenas, e não consigo sentir aquele cheiro de perfume vindo de mim o dia inteiro sem me sentir enjoada. O estranho é que, mesmo assim, eu compro perfumes, compro esmaltes, poderia se dizer até que tenho uma coleção de ambos. Quem olha minha bancada do banheiro até pensa que faço manicure toda semana e ando por aí cada dia com um cheiro diferente. Mas não, são sempre as mesmas unhas cor de unha, sempre o mesmo cheiro de shampoo e sabonete e eu sempre me justificando que faltou tempo, que não consegui ir no salão naquela semana, simplesmente não consigo admitir isso das unhas alienígenas pras minhas amigas sem cutículas.


7. Gosto de ler praticamente todos os tipos de livros, mas meu livro preferido é um livro de terror (um terror meio suspense, meio misturado com religião, uma história que eu nem sei explicar ---> aliás, outra coisa que não sei é resumir histórias de filmes e livros). E eu sempre tento convencer as pessoas a lerem esse livro. Sempre. Se, algum dia, você virar pra mim e disser que gosta de ler, eu vou te encher o saco até você fazer o favor de comprar e ler esse livro até o final.


8. Falando de livros, eu morro de ciúmes das minhas coisas, tem uns objetos específicos que eu odeio ver as outras pessoas usando, e se tem uma coisa que eu realmente odeio emprestar é livro. Primeiro porque tenho medo da pessoa nunca me devolver (o que quase sempre acontece), depois porque fico muito nervosa da pessoa usar a aba solta que vem no livro pra marcar a página que ela está lendo. Daí eu peço pra pessoa não usar e ela vem e fala "mas essa aba solta foi feita pra isso" e eu só pareço maluca quando digo "MARCADOR DE LIVRO TAMBÉM FOI FEITO PRA ISSO, BITCH", e dai, como eu sou a maluca, meus livros sempre voltam (quando voltam) pra mim esgaçados e meio tortos e é horrível porque com a aba destruída eu meio que perco a vontade de lê-los de novo.


9. Eu amo balas. Desde que eu me entendo por gente eu fui uma criança assídua no dentista baleiro. Eu não tenho controle sobre a quantidade de balas que eu como, nem balas nem chicletes. Chicletes tem o problema de comer enfiando vários na boca de uma vez só, até ficar tão grande que não dá pra mastigar (mas isso só faço sozinha, porque se faço em público eu começo meio que a babar demais e as pessoas começam a sair de perto falando "que nojo" e eu não curto) e balas é uma atrás da outra até acabar, obviamente. Eu gasto toneladas de dinheiro com balas e nem me importo. Balas e gibis da turma da mônica foram minha primeira paixão que o dinheiro podia comprar então to nem ai. Aliás, se as pessoas não fossem me julgar por isso, eu leria gibis até hoje e economizaria um tanto de dinheiro que gasto comprando os milhares de livros que preciso ler até encontrar um que eu goste de verdade.
Nossa, eu poderia até pensar em mais coisas, mas isso já deve ter ficado entediante demais que não quero nem ver, não vou nem reler pra não dormir e esquecer o leite que eu deixei esquentando no fogão. Segurança acima de tudo né. Rio de janeiro pela paz e coisa e tal. Sei nem mais o que eu to falando.