Você me liga e eu quero te contar do meu dia, a sua voz está fria e eu quero falar de amor.
Me
esforço para que minha voz pareça tão indiferente e distante como a sua
já é naturalmente, então falo exatamente o oposto de tudo o que estou
pensando, só fico satisfeita quando a frase me parece bastante cruel aos
seus ouvidos (acho que você aguenta), mas seu tom permanece inalterado,
vejo que acha graça das minhas maldades, a sua risada morna esquenta a
minha orelha pelo telefone, minhas crueldades de amor não têm efeito
algum sobre você.
Quero entrar na sua voz. Quero morar na sua voz.
Quero gravar minhas iniciais com uma navalha nas suas cordas vocais - o nó que a gente deu ficou frouxo demais.
Eu
gosto de te ouvir enquanto coleciono palavras. Sua voz é muito fácil de
desmembrar. Antes mesmo de você ir embora eu já colecionava essas
palavras. Estúpidas. Desesperadas. Viscosas. Essas palavras que eu sabia
que deixaria de dizer. Tenho hoje tantas delas guardadas que me
pergunto, com uma certa surpresa, sobre o que conversávamos.
Mas que tolice a minha, nós não conversávamos.
Quantos cigarros
você acha que seriam necessários pra esquecermos todos os
desequilíbrios? Quando não é você errando sempre aparece alguém pra
cumprir seu papel de infrator. Não há o que sustente sua paz, você bem
sabe que precisa de tudo de pernas pro ar, assim é mais fácil foder a
vida, não existe aquela necessidade chata de ficar gastando os músculos,
causar contusões, convencer através da força pra ela te dar sem
gritar, contar pro irmão mais velho, o pai e depois sofrer com a sua
cabeça sendo cortada com a faca de mesa da mãe.
Você
sorri, claro, é educado, tenta se vestir bem, mostra qualidades, os
defeitos escreve em cadernos e depois queima cada folha chorando, como
se colocasse fogo em seus próprios membros. Porque não ateia fogo em si
mesmo? Se é tão bom em suportar e fingir, vamos fazer de conta que é
alguma muçulmana suicida. Exploda seu crânio junto ao botijão, se
destrua primeiro antes que estrague a vida de mais alguém.
As
pessoas te olham torto na rua como se conseguissem torcer seu pescoço
só de te ver passar, você torce pra que elas te esqueçam, não tem como
cobrir os cortes na cara de raspão, todas acordam e já vão escovar os
dentes, encaram no espelho as cicatrizes que você criou.
E
as suas? As transplanta também pra poemas cheios de metáforas bonitas e
depois os engole? Da descarga ou enterra no jardim? Seu cachorro não
aguenta mais cavar o gramado, enfileirar as desgraças que você fez.
Comece a esquecê-las na gaveta como suas coleções antigas, já que pra
você são apenas dores passadas.
Comprei um vidro do seu perfume e encharquei a minha casa de você,
derramei você nos livros, nos travesseiros e nos lençóis, te derramei
nos sapatos e te deixei grudar nas minhas meias, te espalhei pelos
cabelos e pelas dobras do corpo, te misturei nas fontes de água e tomei
banho com você, tomei banho de você. Tomei esse banho e depois não tomei
nenhum outro mais, deixei o seu cheiro ressecar e formar crostas,
deixei você cair da minha pele e virar poeira, parei de varrer a casa e
tudo o que eu tenho virou também poeira.
Pensei que não era o bastante e resolvi te derramar ainda nas minhas
roupas, nas roupas dos meus familiares, dos meus amigos, nas
roupas que ficam expostas nas vitrines das lojas, nos tecidos sem forma
que irão tornar-se roupas, nos fios de náilon, nas crianças chinesas,
nas plantações de algodão, na máquina de lavar. Quero sete bilhões de
pessoas cheirando à você. Quero sete bilhões de você cheirando à
pessoas. Quero você cheirando à você, já gastei todo o perfume.
O abdome é dividido em nove quadrantes, os médicos delimitam previamente
as linhas do esquartejamento, sobra aos assassinos pouco ou nenhum
trabalho. Quero que você vá descendo a lâmina afiada da sua faca na
linha imaginária marcada pelos mamilos, aproveite e roube, através
deles, minhas melhores endorfinas batidas no leite. Quero que vá
rasgando a pele aos poucos, isso, sem medo, sem deixar a mão tremer
enquanto me corta, sem limpar o sangue que escorre, meu último desejo é
sujar os seus sapatos.
Pela dor que eu sinto você já fez duas linhas verticais, dividiu meu
corpo em três, mas as doenças são muitas, são necessários espaços
menores para examinar alguém com precisão, não se preocupe, estou aqui
para te ensinar, vou mostrar exatamente o que você tem que fazer. Seguro
sua mão para te ajudar a abrir os dois últimos talhos horizontais, o
primeiro bem na crista da bacia e o outro começando logo abaixo das
costelas, imagino que você esteja pensando em como elas ficariam uma
delícia defumadas e regadas ao molho de churrasco, queria que tivesse me
avisado da sua antropofagia antes que eu te permitisse tomar conta da
minha autópsia.
Pronto, estão aí expostos os nove pedaços de mim que você
desconstruiu, quero que me diga qual deles apresenta o maior grau de
macicez, só não repare essa discreta distensão ali no meio, bem aonde
você apoiou a mão trêmula, cansada de tanto me dilacerar, é o resultado
de todo o ar que engoli junto com as palavras que tanto ensaiei, mas que
fiz questão de não te entregar.
E daí se eu gosto de sangue?
E daí se minha analista insiste em me perguntar se eu já me apaixonei e eu nunca sei o que responder e acabo dizendo que não?
Às
vezes digo que sim e a conversa fica estranha, estranha por que eu não
consigo deixar de pensar em quem eu amei. São fantasmas, eu sei, mas são
meus fantasmas e gosto que eles me rodeiem durante o dia, gosto de ver
os rostos dos meus fantasmas se deformando pelo meu afastamento físico
com os donos de seus corpos, mudando de traços pela brincadeira do
esquecimento, até que se tornam caricaturas completamente distorcidas
daquilo que um dia eu conheci tão bem e, ainda assim, gosto que eles
estejam ali, que participem comigo de cada pequena atividade, que
continuem me conhecendo, mesmo que somente na realidade paralela que
criei para nós, eu e meus amores-fantasmas. Forço uma intimidade com
ilusões que querem ir embora, é verdade, diversas vezes já me pediram a
carta de alforria, mas são minhas ilusões, só vou deixá-las partir
quando eu não tiver mais o que contar, quando eu não tiver mais vontade
que me conheçam; venha, ilusão, é inútil resistir, sente-se, fiz
macarrão e comprei vinho branco para o jantar.
Daqui de onde estou
sentada não vejo problema nenhum em gostar de sangue. A vida é suja
assim mesmo e, dentro dela, eu prefiro ficar com o que é mais cru, com o
que é mais líquido e colorido. Limpas são apenas as ilusões que, apesar
de também me agradarem muito, não servem para andar de mãos dadas na
rua, nem para dar beijos no cinema; o limpo e o bonito não satisfazem
por completo, o sujo precisa fazer o contrapeso, eu fico com o sujo, não
me importo, quero mesmo é ter a liberdade de escolhê-lo.
E daí se eu não quiser falar de amor?
Às vezes imagino meu corpo sem a pele, as órbitas vazias de olho, o
nariz afilado sem cartilagem e sem também nenhum sinal de que algum dia
em mim existiram orelhas (PARA SEREM MORDIDAS, PARA OUVIREM SUSSURROS);
somente os ossos e os dentes podres pendentes da mandíbula quebrada da
caveira (NÃO IMPORTA O QUE SE FAÇA EM VIDA, OS DENTES SEMPRE APODRECEM).
Arranco
mentalmente cada camada. A epiderme sai com uma facilidade
surpreendente, expondo o tecido adiposo incomodamente amarelo e macio e
os músculos atrofiados, que exibem o mesmo aspecto de carne fresca das
peças de gado penduradas por ganchos na vitrine do açougue; tiro os
nervos, os vasos, deixo a linfa incolor transbordar pela fáscia friável
do abdome enquanto me desfaço gentilmente do subcutâneo e, finalmente,
alcanço os ossos, a única coisa que resta depois dos anos, quando
resolvemos matar a saudade e abrir o caixão.
Gosto de tentar imaginar
o contorno do meu crânio sem o disfarce de pele que o encobre para
garantir ao corpo seu humilde espaço na normalidade. Deslizo a mão por
baixo dos cabelos e sinto os relevos e as depressões sob o couro móvel e
me agrada projetar na mente a imagem que me perseguirá pela eternidade,
o último resquício de matéria que continuará me prendendo à terra,
mesmo quando eu já não mais tiver essa necessidade - de estar em algum
lugar, de ser alguma coisa. É um alívio insólito mentalizar meu
esqueleto, exibir em um rolo de filme imaginário a minha própria
decomposição, assistir larvas cilíndricas e aneladas esgueirando-se por
entre as catacumbas da medula óssea, torcendo para que familiares não
tenham o mau gosto de jogar sobre mim tristes flores de finados e
punhados gordos daquela terra pálida e lazarenta que acomoda os
parasitas.
Não me olhe desse jeito, não me agrada também abordar o
assunto, sou do tipo que vira o rosto ao passar pelo cemitério, mas como
nada pode saciar as dúvidas a respeito do destino da alma (QUE ALMA?),
ao menos me acalma programar a ordem de exoneração de cada órgão
aprisionado por detrás das grades de arcos costais; quero dar de comer
aos vermes primeiro o coração, por último o pâncreas ou o rim esquerdo,
assim não me parece tão ruim.
Eu costumo reclamar muito sobre o quanto as pessoas me irritam, sobre
como eu nunca vou conseguir manter um relacionamento, uma vez que todas
as pessoas que eu conheço acabam, uma hora ou outra, me cansando (e não
do jeito bom). Antes de imaginar como vai ser meu casamento (que
casamento?) eu já quero procurar o telefone de advogados para cuidar do
meu divórcio. Eu tenho certeza que pra mim não vai ter essa coisa de
feliz para sempre, simplesmente por um único motivo: as pessoas são
todas muito chatas. Sim, todas.
Mas peraí, eu sou uma pessoa e eu não
sou chata. Todas as minhas piadas são muito engraçadas e qualquer um
teria a sorte de morar no meu corpo e passar todas as horas de todos os
dias dentro da minha cabeça, certo? Ahn, mais ou menos. Eu realmente não
me acho tão chata, afinal são 27 anos de convivência e, apesar de
minhas disparidades comigo mesma, consigo me achar agradável durante a
maior parte do tempo. Mas sim, eu sou chata. E muito. Assim como todo
mundo.
Acho que existe algum mecanismo de defesa no ser humano que
impede que ele perceba a própria chatice, de forma que ele possa viver
anos e anos sendo aquela pessoa que pergunta se é "pavê ou pacomê" sem
se incomodar com isso da mesma forma que se incomodaria se essa frase
saísse da boca de outro ser de luz, que se acha engraçadíssimo, assim
como ele. Porém, existe uma falha nesse sistema. Sim, se você parar para
se escutar, naquele momento logo antes de dormir, vai conseguir
perceber o quão insuportavelmente entediante e piegas você consegue ser.
Por
exemplo, esses dias ando tendo aquelas insônias de ficar horas rolando
na cama sem conseguir mergulhar no estado de espírito elevado que tanto
me agrada. Foi quando parei para ouvir pela primeira vez as vozes dentro
da minha cabeça se manifestando, que entendi como é difícil achar uma
pessoa legal no mundo, principalmente porque eu não sou uma delas.
(flashback para a cena de Marina -eu- tentando dormir)
(...
alguns minutos de silêncio ...) "eu gosto de uvas" "faz tempo que não
como uvas" "hum... foi um bom restaurante que fui no fim de semana né"
"a salada tava muito boa" "preciso comer mais salada" "amanhã vou no
supermercado e compro coisas pra fazer salada" "não vou ficar gastando
dinheiro quando posso fazer uma coisa tão fácil dessas em casa" "♫ I
like big butts and I cannot lie ♪" "não ok, vamos dormir agora, você tem
que acordar cedo amanhã" (silêncio) "ai droga acho que deixei
dinheiro dentro da minha calça jeans" "se for uma nota de 2 reais eu não
me importo, mas se for uma de 20 eu quero pegar agora" "não, deixa,
amanhã eu pego, é só eu não me esquecer" "dinheiro na calça, dinheiro na
calça, dinheiro na calça, dinheiro na calça" "ah não, agora acho que
tenho que fazer xixi" "bom se eu levantar pra fazer xixi melhor pegar
logo o dinheiro na calça" "não, eu não posso estar com vontade, acabei
de ir no banheiro" "nossa se eu acordar no meio da noite com vontade de
fazer xixi vou ficar muito puta" "♪ you other brothers can't deny ♫" (e continua por mais algumas horas).
Não
sei se fui clara o bastante. Se quando eu era pequena meus pais
cantavam música pra me fazer dormir, hoje em dia eu me encarrego de
entediar a mim mesma até não aguentar mais e ser obrigada a dormir. E,
se uma pessoa consegue ser tão chata a ponto de fazer a si própria
dormir, eu não sei quem eles estão tentando enganar com esse papo de paz
mundial. Afinal, guerras só acontecem porque as pessoas não se aguentam
mais e querem matar umas às outras, certo?
Aliás, com tantos
problemas no mundo eles preferiram erradicar a varíola do que a chatice,
né? Esse pessoal do governo não tem a menor noção de prioridades mesmo.
Acontece assim: eu corto os seus pulsos, a culpa vai parecer
toda sua, corto seguindo o curso da artéria radial, quero fazer uma
bagunça. Eu gosto de sangue. Eu gosto do seu sangue. Quero beber,
colocar em um balde, derramar pela casa. Rolar no teu sangue, é isso o
que eu quero. Mergulhar em piscina de plasma e enxergar através do seu
vermelho, enquanto você cai debilmente na cama, quero nadar nas suas
veias.
Sonho todas as noites em tirar sua vida com os dentes,
usar os caninos para te rasgar em todos os pulsos principais. Por você,
eu não beberia nada além de sangue, nada além do teu sangue, nem mesmo
água, e estou com tanta sede, cinco litros de você só vão servir para
engrossar minha saliva, tirar a minha água enquanto você sangra no
colchão, mas não me peça para tirar também minhas máscaras, não quero
acelerar a desidratação.
Seu corpo já está morto, inerte, pálido,
chupei sua carótida como uma tangerina e continuo te deixando sangrar
mesmo depois de passado o prazo de validade. Antes de beber, encho as
tripas de heparina para te impedir de coagular dentro de mim, é muito
do seu sangue para pouco ácido no meu estômago, a qualquer momento
posso ter uma indigestão, mas ainda assim quero sua estirpe bem viva no
meu esôfago e intestino, meu sangue e teu sangue com apenas uma camada
de músculo liso para separar, quero me banhar nas suas feridas abertas
para que elas não tenham tempo de cicatrizar.
Eu vim aqui hoje pra falar de uma coisa que eu sei que existe (tenho
quase certeza que existe! só não digo certeza total porque quem sou eu
né..) mas que ninguém comenta. Quer dizer, as pessoas até brincam sobre
isso e tal, mas ninguém para no meio de uma conversa e fala sério: "ah
é! eu também só ando pelado em casa!" NINGUÉM! pode sair por aí tentando
iniciar esse tipo de conversa que você não vai conseguir! to avisando!
Ou, se conseguir, vai ser num estilo com um pessoal falando "ai, que
esquisito! sério que você faz isso?" e aí você vai acabar desistindo de
tratar o assunto com naturalidade e vai falar algo do tipo: "é, não..
realmente! fiz isso uma vez só, só pra ver como era! só por causa
daquele episódio de friends e tal.."
Pra quem não sabe, tem um
episódio de friends em que a Phoebe (que mora sozinha) fala que só anda
pelada dentro de casa (e por isso demora pra abrir a porta) e aí a
Rachel, num dia que tem o apartamento só pra si, resolve ver qual é a da
parada e fica pelada também! é um dos meus preferidos! Falando assim
nem tem graça, mas todos os episódios de friends são inevitavelmente
engraçados! e se você nunca assistiu friends, peço desculpa, mas eu
provavelmente não terei muito o que conversar com você! (FRIENDS IS
LIFE)
Perdi o foco. Ah é! Tava falando de como é divertido ficar
pelada em casa sozinha! Ah, sim! Detalhe para o sozinha! Andar pelada
sozinha é uma coisa, andar pelada com platéia é outra completamente
diferente! Porque outro dia minha psicóloga me perguntou se eu andava
pelada na frente dos meus pais e tal e eu achei aquilo esquisitíssimo!
mas eu precisaria de todo um novo post pra falar das neuras que essa
psicóloga já colocou na minha cabeça! (qualquer dia eu conto)
Mas
sei lá né, talvez isso também só seja esquisito agora, porque vai que um
dia eu encontro alguém que goste de andar pelado junto comigo e aí
fique tudo certo, sem aquela coisa de vergonha e tal, e obviamente
fingindo que isso não acontece quando o assunto vêm à tona, né? vai que
tem até um monte de gente que quer comentar sobre a peladisse grupal que
rola em suas respectivas casas e também não tem um público receptivo
(eu admito que não sou um público receptivo nesse assunto também não!)
Enfim,
nem sei se eu tinha um objetivo quando comecei a falar disso! Acho que
foi só por causa dos pedreiros tarados que ficam olhando pela minha
janela enquanto eu me reservo o direito de andar sem roupas pela minha
casa (mas calma que eu já fechei as cortinas porque não sou piriguetch
não genty) e pra ver se a galere fica menos chata na hora de conversar
sobre certos assuntos e admite logo que anda pelado MESMO e que ninguém
tem nada a ver com isso né não? um dia todo mundo vai conversar sobre
qualquer besteira na rua sem repressão e vamos ser todos felizes para
sempre! vocês vão ver só!
Olha eu to aqui hoje porque preciso esclarecer uma coisa que está
entalada na minha garganta há algum tempo e eu nunca sei as palavras
certas pra falar isso sem parecer extremamente babaca e escrota e eu
morro de medo de gente que me conhece ler essas desgraças que eu escrevo
na internet e me odiar mais do que meu potencial exige na vida real,
mas enfim TO BOTANDO A BOCA NO MUNDO isso precisa ser dito e eu vou
levar uma pelo time O TIME DA VERDADE (???).
É o seguinte,
principalmente no universo feminino rola uma coisa meio louca de que pra
você ser amiga de alguém você precisa ser completamente sincera, você
tem que compartilhar cada detalhe da sua vida com aquele ser humano,
você não pode odiar ninguém que aquela pessoa gosta por mais
insuportavelmente chata que a pessoa seja e o mais importante, você não
pode falar mal de ninguém (muito menos dela). Mas aqui vai uma novidade
pra vocês meninas: TODO MUNDO FALA MAL DE TODO MUNDO. Pois é, chocante,
eu sei, mas é verdade. Até mesmo aquela sua amiga pastora da sinceridade
que quando vê você falando mal de alguém já vem logo dizendo "QUERO
MORRER TUA AMIGA HEIN" ou "NÃO QUERO OUVIR VOCÊ FALANDO MAL DE FULANINHA
PORQUE ELA É MINHA AMIGA E EU NÃO FALO MAL DE AMIGA" ou até mesmo
"GENTE, SE VOCÊ FALA ASSIM DE FULANINHO DE TAL IMAGINA O QUE NÃO FALA DE
MIM PELAS COSTAS" e outras frases de efeito que você pode encontrar em
qualquer manual da boa amiga sincera na livraria mais próxima da sua
casa. Mas então, ATÉ ESSA amiga sente impulsos elétricos incontroláveis
pra fazer comentários ante a sandália gladiadora de uma professora que
se veste esquisito ATÉ ELA ri convulsivamente por dentro quando ouve
você comentando que um desafeto dela caiu da escada e rolou pela rampa
na frente da faculdade inteira. TÁ NO NOSSO SANGUE GENTE NÃO DÁ PRA
EVITAR, É TIPOS CIÊNCIA.
Ok pode parecer só mais um traço bitch da
minha personalidade, deve até ser mesmo mas eu realmente li uma vez que a
fofoca é uma parada que sobreviveu à evolução, que tipos o pessoal das
pedras que fazia fofoca prevaleceu sobre o que se achava bom demais pra
isso no meio da seleção natural, simplesmente porque fazer fofoca, por
pior que o termo possa ressoar ao ouvido dos mais pudicos, une mais as
pessoas, e eu não li isso tipos na caras não, foi em uma revista meio
que científica até, daquelas mente&cérebro (pelo menos é uma das
revistas mais sérias que eu leio, então me sinto obrigada a acreditar em
quase tudo), dai dizia ainda que as pessoas se sentiam meio que fazendo
parte de um grupo de uma unidade quando se uniam pra falar mal de uma
outra pessoa e isso as favoreceu, as tornou mais fortes e coisa e tal. O
QUE FAZ TOTALMENTE SENTIDO porque reflitam comigo sobre a seguinte
situação: Fulaninha de tal é muito amiga de ciclaninha e de beltraninha,
mas ciclaninha e beltraninha não gostam uma da outra porque tem ciúmes
de fulaninha de tal, só que ai um dia fulaninha de tal vai lá e pega o
namorado de ciclaninha que fica muito chateada, ao mesmo tempo
beltraninha também está muito chateada com fulaninha de tal porque ela
só dá atenção pro namorado novo e deixou ela de lado. O QUE ACONTECE??
ciclaninha e beltraninha que antes se odiavam se unem pra falar mal de
fulaninha de tal É O PONTO EM COMUM ENTRE ELAS, É O ELO e constroem a
partir dai uma linda amizade (sem fulaninha de tal que agora não tem
mais nada a ver com elas porque por motivos óbvios não pode participar
das fofocas). E VOCÊS ACHANDO QUE FOFOCA ERA UMA COISA RUIM NÉ? FOFOCA
CRIA AMIZADES, SELA CASAMENTOS, CONSOLIDA UNIÕES É LINDO, além de todas
as endorfinas e hormônios do bem que rolam enquanto você está ouvido um
baphão sensacional né.
Não me entendam mal, com fofocas eu não quero
dizer INVENTAR COISAS a respeito de outras pessoas, porque isso sim é
uma tremenda filhadaputagem e se você acha que vai fazer migs assim
sinto muito por te desapontar, mas quero dizer a pura e simples troca de
informções, ou melhor, o livre fluxo de ideias e opiniões a respeito de
uma terceira, ou quarta, ou quinta pessoa. Isso é simplesmente
saudável.
Tudo bem, agora vão me chamar de maluca por estar me
justificando por um comportamento socialmente inaceitável CAGUEI PROCÊS
porque eu to aqui pela liberdade de expressão (e pelos homi bunito), vão
lá todos dar uma meia hora de bunda pra ver se deixam um pouco a
hipocrisia de lado e admitem que falam mal de geralzão também e que não
tem nada de errado nisso.
Certo, eu não falo mal de GERALZÃO porque
isso é um conceito muito amplo e tem muita gente que eu realmente gosto e
que não vejo motivo nem necessidade de falar mal e também muita gente
que eu até tenho motivo para falar mal mas que eu gosto o suficiente pra
não falar mal de forma que essa pessoa sinta em algum nível de
subconsciência que eu estou fazendo esse sacrifício e também não fale
mal de mim (porque realmente minha boa fé vai muito impedir a língua
alheia né, enfim), mas existe esse pequeno problema de todo mundo ser
tão chato. Sim. Eu sou chata, você é chato, sua mãe, seu pai, seu
namorado oxigênio, até o Marcelo Adnet que é tão lindo, engraçado e
inteligente deve ser chato (e eu nem to forçando a barra). TODO MUNDO É
MUITO CHATO. Mas na maioria das vezes a gente escolhe não ver isso, ou
então a gente acha aquela pessoa tão linda, engraçada e inteligente
(Marcelo Adnet SEU LINDO) que nem percebe as sutis chatices que compõem a
personalidade daquela pessoa. Porém, se você convive com alguém por
tempo o suficiente alguma dessas coisas que antes você antes não
prestava atenção inevitavelmente vão te irritar É A LEI NATURAL DA VIDA.
E ai é extremamente necessário que você use essa válvula de escape que é
falar mal dos outros para poder continuar convivendo pacificamente com
aquela pessoa que você tanto gosta (ou que você precisa aturar, porque
né).
Todo mundo tem uma mania esquisita, fala uma coisa nada a ver,
se veste de um jeito engraçado algum dia, fica com alguém muito feio no
outro, todo mundo dá motivos pra você comentar, você só precisa escolher
fazer isso de uma maneira saudável ou não. MANEIRA SAUDÁVEL (minha
maneira): fazer piadocas exaustivamente sobre aquele tópico até se
tornar sem graça ou outra pessoa fazer uma coisa mais ridícula com a
qual você possa fazer piadocas, sem influenciar mentes pequenas caso
você não goste da pessoa em questão (ou influenciando, caso aquela
pessoa tenha sido bitch com você, porque ninguém é de ferro né) e sem
deixar a pessoa perceber olhares pejorativos e risinhos descontrolados
em sua direção DICA: invente apelidos. MANEIRA NÃO SAUDÁVEL: olhar de
cima a baixo quando a pessoa passa, encarar a mesma e virar para o lado
para fazer comentários, fazer todo mundo odiar aquela pessoa porque ela
fez algo que você não gostou, contar coisas que foram engraçadas num tom
sério só pra pessoa parecer ainda mais ridícula entre outros, essas são
as chamadas fofocas corrosivas normalmente feitas por pessoas que se
acham melhores do que realmente são e coisa e tal DICA: não se misture
com esse tipo de gente, primeiro porque elas não são engraçadas, o que
faz delas muito mais chatas que o normal, depois porque dai você vai
parecer muito mais bitch do que a cota reservada para cada ser humano.
Ah
sim, porque eu acho que cada pessoa devia ter uma cota para o quanto
pode ser bitch dai se você passar dessa cota sim as pessoas podem
começar a se afastar de você alegando que você é uma pessoa horrível e
que não sabe ser amiga de ninguém sem ser falsa.
Então é isso gente,
ninguém é completamente sincero, ninguém é completamente falso, todo
mundo fala mal de todo mundo pelas costas, provavelmente todas as suas
amigas já fizeram algum comentário meio bitch sobre você (e sobre mim) e
é melhor você aprender a conviver com isso se quiser ter alguma
madrinha no seu casamento.
P.S.: AMIGAS QUE ME CONHECEM E QUE POR
VENTURA VENHAM LER ESSE POST: EU AMO VOCÊS, SÓ FALO MAL DE GENTE FEIA E
MELEQUENTA (só falo mal de gente linda e glamourosa que trabalha em
hollywood porque dai é inveja, não conta) E SÓ SOU AMIGA DE GENTE LINDA E
SE EU JÁ FALEI MAL DE VOCÊ VOCÊ PROVAVELMENTE VAI SABER PORQUE EU NÃO
SOU NADA DISCRETA E OLHO COM CARA DE CU PRAS PESSOAS QUE EU NÃO GOSTO (e
gente que a gente não gosta todo mundo sabe que rola um livre-arbítrio
incondicional pra falar mal né?) ENTÃO É ISSO UM BEIJO, NÃO ME ODEIEM.
Outro dia vi num blog por aí uma pessoa dissertando sobre 9 coisas que
os outros deveriam saber sobre ela. A primeira coisa que eu pensei foi:
"nossa, mas é nunca que eu iria conseguir pensar nove, eu disse NOVE,
coisas interessantes o suficiente sobre mim, pelo menos não algo que
alguém tenha vontade de ler né". Pensei também que essa pessoa devia ser
um tanto bem resolvida para escrever praticamente um manual a seu
respeito achando que os outros iriam querer abri-lo e testá-lo. Nem sei
se foi esse o objetivo, nem sei se ela era tão bem resolvida assim, olha
eu com essa minha mania chata de julgar as pessoas sem saber. Eu, na
verdade, não cheguei nem a ler as 9 coisas que ela achou válido
compartilhar sobre ela mesma com o mundo.
Acho que por não saber o
que ela tinha escrito sobre si, por não saber se as coisas que ela tinha
achado interessantes sobre ela mesma seriam interessantes para mim
também ou sei lá por qual motivo senão minha simples curiosidade pra ver
se eu conseguia pensar em nove coisas interessantes sobre mim, resolvi
fazer minha própria lista de curiosidades a meu respeito (how pathetic
am I?). E não to nem ai, eu podia estar fazendo testes no facebook pra
descobrir que princesa da disney eu sou, podia estar protestando pelas
minhas moedas verdes no youtube, mas não, estou aqui humildemente
revelando segredos para desconhecidos que é algo muito mais saudável,
então vamos lá:
1. Eu tenho uma dificuldade horrível de dizer "eu te
amo". Foram poucas as pessoas que já escutaram essas palavras saindo da
minha boca. Escrever é outra história, sou bem menos pudica com meus
sentimentos quando eles são escritos, mas quando são falados eles
parecem muito mais reais, muito mais meus e eu não sei lidar com isso.
Então as pessoas só vão ouvir um "eu te amo" meu se for muito verdade,
se eu precisar muito dizê-lo.
2. Eu odeio mamão. Acho que não devia
nem ser considerado fruta. Frutas são pra serem leves e doces e com
gosto de infância, mamão só me lembra as épocas em que minha peristalse
não era lá essas coisas e eu tinha que me entupir de mamão até quando
estava SENTADA NO PENIQUINHO (wall of shame) e ninguém constrói memórias
agradáveis sentada num penico com cara de fusca né. Pois é, e além
disso ainda tem a consistência, o gosto, aquelas sementes todas, que em
nada ajudam a causa do mamão.
3. Eu não gosto do meu aniversário. Com
isso não quis dizer que não gosto de ganhar presentes, eu adoro ganhar
presentes. Eu só não gosto de pessoas se sentindo na obrigação de me dar
parabéns sem eu nem ao menos ter feito alguma coisa digna de
merecê-los. Não gosto de comemorar algo que eu não sinto necessidade só
porque é uma convenção social (mas eu faço porque sou boba e preciso me
sentir IN nas coisas). Eu não fico chateada se esquecem de me dar
parabéns, eu na maioria das vezes prefereria até ficar em casa e esperar
chegar o dia seguinte quando vai ser só mais um dia qualquer, mas nunca
sou permitida a fazer isso.
4. Toda vez que eu passo por um espelho e
não tem ninguém por perto eu levanto a blusa pra ver se minha barriga
ainda está lá. Ok, você acabou de concluir que eu sou uma idiota, e eu
devo ser mesmo, mas sei lá, vai que minha barriga mudou desde a última
vez que eu a vi, vai que ela sumiu (o que seria uma boa) ou que ela
ficou igual a daquelas pesssoas depois de fazerem uma cirurgia de
estômago, toda cheia de pelancas. Não sei, eu preciso saber que ela está
ali, e não adianta só colocar a mão, eu preciso olhar no espelho.
5.
Eu não entendo nada de política. Eu até tento. Juro que tento. Tento
absorver ao máximo o que os taxistas falam e comparar com o que eu ouço
em casa do meu pai exaltado durante o jornal nacional. Tento falar de
fulaninho que eu conheci que fez sei lá o que na política quando alguém
começa o assunto. Eu acho até que sou convincente, mas isso se deve
mais ao meu talento de mentir do que ao meu conhecimento sobre o
assunto. É horrível, mas eu simplesmente não me interesso e, a não ser
que eu me apaixone por alguém muito engajado na política, eu vou
continuar na minha ignorância gostosa.
6. Eu fico nervosa quando uso
perfumes e quando pinto as unhas. Pois é, eu gosto do cheiro dos
perfumes, eu me apaixono pelas cores dos esmaltes, até sei os nomes de
algumas das cores, mas quando o negócio é colocar em mim eu fico um
pouco tensa. Não consigo olhar minhas unhas vermelhas, ou de qualquer
outra cor, sem achá-las um pouco alienígenas, e não consigo sentir
aquele cheiro de perfume vindo de mim o dia inteiro sem me sentir
enjoada. O estranho é que, mesmo assim, eu compro perfumes, compro
esmaltes, poderia se dizer até que tenho uma coleção de ambos. Quem olha
minha bancada do banheiro até pensa que faço manicure toda semana e
ando por aí cada dia com um cheiro diferente. Mas não, são sempre as
mesmas unhas cor de unha, sempre o mesmo cheiro de shampoo e sabonete e
eu sempre me justificando que faltou tempo, que não consegui ir no salão
naquela semana, simplesmente não consigo admitir isso das unhas
alienígenas pras minhas amigas sem cutículas.
7. Gosto de ler
praticamente todos os tipos de livros, mas meu livro preferido é um
livro de terror (um terror meio suspense, meio misturado com religião,
uma história que eu nem sei explicar ---> aliás, outra coisa que não
sei é resumir histórias de filmes e livros). E eu sempre tento convencer
as pessoas a lerem esse livro. Sempre. Se, algum dia, você virar pra
mim e disser que gosta de ler, eu vou te encher o saco até você fazer o
favor de comprar e ler esse livro até o final.
8. Falando de livros,
eu morro de ciúmes das minhas coisas, tem uns objetos específicos que eu
odeio ver as outras pessoas usando, e se tem uma coisa que eu realmente
odeio emprestar é livro. Primeiro porque tenho medo da pessoa nunca me
devolver (o que quase sempre acontece), depois porque fico muito nervosa
da pessoa usar a aba solta que vem no livro pra marcar a página que ela
está lendo. Daí eu peço pra pessoa não usar e ela vem e fala "mas essa
aba solta foi feita pra isso" e eu só pareço maluca quando digo
"MARCADOR DE LIVRO TAMBÉM FOI FEITO PRA ISSO, BITCH", e dai, como eu sou
a maluca, meus livros sempre voltam (quando voltam) pra mim esgaçados e
meio tortos e é horrível porque com a aba destruída eu meio que perco a
vontade de lê-los de novo.
9. Eu amo balas. Desde que eu me entendo por gente eu fui uma criança assídua no dentista
baleiro. Eu não tenho controle sobre a quantidade de balas que eu como,
nem balas nem chicletes. Chicletes tem o problema de comer enfiando
vários na boca de uma vez só, até ficar tão grande que não dá pra
mastigar (mas isso só faço sozinha, porque se faço em público eu começo
meio que a babar demais e as pessoas começam a sair de perto falando
"que nojo" e eu não curto) e balas é uma atrás da outra até acabar,
obviamente. Eu gasto toneladas de dinheiro com balas e nem me importo.
Balas e gibis da turma da mônica foram minha primeira paixão que o
dinheiro podia comprar então to nem ai. Aliás, se as pessoas não fossem
me julgar por isso, eu leria gibis até hoje e economizaria um tanto de
dinheiro que gasto comprando os milhares de livros que preciso ler até
encontrar um que eu goste de verdade.
Nossa, eu poderia até pensar em
mais coisas, mas isso já deve ter ficado entediante demais que não
quero nem ver, não vou nem reler pra não dormir e esquecer o leite que
eu deixei esquentando no fogão. Segurança acima de tudo né. Rio de
janeiro pela paz e coisa e tal. Sei nem mais o que eu to falando.